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Se olhares para o teu teclado agora, verás as letras Q-W-E-R-T-Y no topo. À primeira vista, parece uma disposição caótica. Se aprendemos o abecedário de A a Z, por que é que o instrumento que usamos para escrever todos os dias não segue essa lógica?

A resposta não está na ergonomia moderna, mas sim numa batalha contra a mecânica do século XIX que moldou o nosso comportamento até hoje.

O “Bug” que se tornou o Padrão

Em 1873, Christopher Sholes, o inventor da primeira máquina de escrever comercial, enfrentava um problema crítico: as hastes metálicas. Quando os dactilógrafos escreviam depressa demais, as hastes das teclas vizinhas chocavam entre si e encravavam o mecanismo.

Para resolver isto, Sholes não tentou apenas acelerar a máquina; ele redesenhou a experiência. Ao estudar os pares de letras mais comuns na língua inglesa (como “TH” ou “ST”), ele colocou essas teclas em posições que forçavam as hastes a vir de direções opostas.

O resultado? O mecanismo tinha tempo de “respirar” e a escrita tornava-se fluida. Sholes não queria atrasar o utilizador, mas sim garantir que o sistema não falhasse sob pressão.

Eficiência Técnica vs. Hábito Humano

Ao longo dos anos, surgiram alternativas teoricamente superiores. O Teclado Dvorak, criado em 1936, foi desenhado para minimizar o movimento dos dedos, colocando as letras mais usadas na “linha de repouso”. Em teoria, é muito mais rápido e ergonómico.

No entanto, o Dvorak falhou comercialmente. Porquê? Porque em 1936, o mundo já tinha “aprendido” a usar o QWERTY. O custo de aprendizagem para mudar milhões de utilizadores era mais alto do que o benefício da nova eficiência.

O que isto ensina à UNNE sobre Web Design?

No mundo do Web Design e da UX, a história do teclado ensina-nos uma lição vital: A familiaridade vence a inovação radical.

Existem dois conceitos fundamentais que aplicamos aqui:

  1. A Lei de Jakob: Este princípio do UX afirma que “os utilizadores passam a maior parte do seu tempo noutros sites”. Isso significa que eles esperam que o seu site funcione de forma semelhante a todos os outros que já conhecem (ex: o carrinho de compras no canto superior direito).

  2. Modelos Mentais: O utilizador já tem um “mapa” na cabeça de como as coisas devem funcionar. Quebrar esse mapa sem uma razão extraordinária gera frustração, não inovação.

Conclusão: O “Melhor” nem sempre é o mais rápido

Por vezes, como designers, sentimos a tentação de reinventar a roda. Mas o legado do QWERTY recorda-nos que o design de sucesso é aquele que equilibra a funcionalidade com a curva de aprendizagem do utilizador. O melhor design não é necessariamente o mais lógico ou o mais rápido, mas sim aquele que as pessoas já sabem usar.