As cidades estão a mudar. Os espaços comerciais estão a mudar. Os produtos estão a mudar. Os websites estão a mudar. E as marcas também.
Há cada vez mais superfícies brancas, cinzentas e neutras. Mais linhas direitas. Mais fachadas semelhantes. Mais interiores minimalistas. Mais logótipos simples. Mais interfaces que parecem ter sido desenhadas a partir da mesma referência.
Nada disto é necessariamente mau.
Mas, quando olhamos para tudo em conjunto, surge uma pergunta:
Quando é que simplificar deixou de ser uma escolha e passou a ser um padrão?
A uniformização visual que está a mudar as nossas cidades
Imagine duas ruas.
Numa delas, cada edifício tem uma história diferente. Há portas de cores distintas, varandas com plantas, persianas, azulejos, materiais envelhecidos pelo tempo e pequenos detalhes que tornam cada fachada reconhecível.
Na outra, tudo é mais recente. Linhas limpas. Materiais semelhantes. Grandes superfícies de vidro. Cores neutras. Janelas repetidas.
A segunda rua pode ser elegante. Pode ser funcional. Pode ser tecnicamente excelente.
Mas talvez demore mais tempo a ficar na memória.
É precisamente aqui que está a questão.
A beleza não está necessariamente na quantidade de elementos. Está na capacidade de criar identidade.
O minimalismo não é o problema
É importante não confundir a mensagem.
O minimalismo trouxe coisas muito boas ao design.
Tornou a comunicação mais clara. Eliminou ruído. Melhorou a utilização de interfaces. Ajudou marcas a construir sistemas visuais mais flexíveis.
O problema aparece quando o minimalismo deixa de ser uma ferramenta e passa a ser uma fórmula.
Quando todas as marcas procuram a mesma simplicidade, usam as mesmas referências e seguem as mesmas tendências, o resultado pode ser paradoxal:
Quanto mais tentamos parecer modernos, mais semelhantes nos tornamos.
A cor é apenas o princípio
Quando falamos de “cor”, não estamos apenas a falar de vermelho, amarelo, azul ou verde.
Cor é personalidade.
É textura. É contraste. É uma fotografia inesperada. É uma tipografia com carácter. É uma ilustração própria. É uma forma diferente de escrever.
É aquela pequena decisão que faz alguém olhar para uma marca e pensar:
“Isto só pode ser deles.”
Por isso, recuperar a cor não significa necessariamente encher tudo de elementos.
Significa recuperar a capacidade de fazer escolhas.
O problema das referências
Hoje temos acesso a mais referências do que nunca.
Pinterest, Instagram, Behance, Dribbble, TikTok, galerias de design, templates e ferramentas de inteligência artificial permitem-nos descobrir centenas de soluções em poucos minutos.
É fantástico para encontrar inspiração.
Mas existe uma armadilha.
Quando procuramos inspiração antes de definir quem queremos ser, é fácil acabar a construir uma marca parecida com aquilo que já vimos.
Começamos por procurar “websites modernos”.
Depois “logótipos minimalistas”.
Depois “identidades premium”.
E, sem perceber, estamos a seguir uma linguagem que já pertence a milhares de outras marcas.
A Inteligência Artificial vai tornar isto ainda mais evidente?
Provavelmente.
A inteligência artificial permite explorar ideias, criar variações e acelerar processos criativos como nunca.
Mas existe uma diferença importante entre criar rapidamente e ter algo próprio para dizer.
Se dez empresas utilizarem ferramentas semelhantes, com referências semelhantes e objetivos semelhantes, é natural que algumas soluções comecem a convergir.
A ferramenta não é o problema.
O problema é quando deixamos a ferramenta tomar decisões que deveriam nascer da identidade da marca.
A tecnologia pode ajudar-nos a criar. Não pode decidir quem somos.
Diferenciar não é ser extravagante
Há também um equívoco frequente quando falamos de diferenciação.
Uma marca diferente não precisa de ser excêntrica.
Não precisa de utilizar cinco cores fortes, uma tipografia impossível de ler ou um logótipo que ninguém compreende.
Pode ser discreta.
Pode ser elegante.
Pode ser minimalista.
Mas precisa de ter uma razão para ser como é.
A diferenciação pode estar numa cor específica, num detalhe gráfico, numa forma de fotografar, num tom de voz ou na maneira como uma empresa transforma uma ideia numa experiência digital.
O que torna uma marca memorável?
Talvez seja uma pergunta mais útil do que:
“Como podemos parecer mais modernos?”
Uma marca memorável é aquela que consegue criar reconhecimento.
Que tem coerência sem ser previsível.
Que evolui sem apagar a sua personalidade.
Que utiliza as tendências sem ficar dependente delas.
E, sobretudo, que consegue responder a uma pergunta simples:
Se retirarmos o logótipo, ainda conseguimos reconhecer a marca?
Se a resposta for não, talvez exista aqui uma oportunidade.
Talvez não precisemos de mais cor. Precisamos de mais personalidade.
O futuro do design não precisa de ser uma guerra entre minimalismo e maximalismo.
Nem precisamos de voltar ao passado.
Precisamos apenas de recuperar uma coisa que nenhuma tendência consegue substituir:
a capacidade de fazer escolhas próprias.
Porque quando tudo à nossa volta começa a parecer igual, um detalhe diferente ganha importância.
Uma cor.
Uma forma.
Uma voz.
Uma ideia.
Uma marca.
Na UNNE, acreditamos que cada marca deve ter a sua própria cor
É também por isso que, na UNNE Design, não começamos um projeto pela tendência do momento.
Começamos pela marca.
O que a torna diferente? O que tem para dizer? Quem precisa de a reconhecer? E que personalidade deve transmitir em cada contacto com o público?
A partir daí, trabalhamos a identidade visual, o branding, o design e a presença digital para construir uma linguagem que faça sentido para aquela empresa – e não para seguir simplesmente aquilo que está a funcionar noutras.
Porque acreditamos que um bom design não deve fazer uma marca parecer-se com o mercado.
Deve ajudá-la a destacar-se dele.
E talvez seja essa a nossa forma de olhar para a cor: não como uma questão de utilizar mais elementos, mas como a liberdade de fazer escolhas próprias.
É isso que procuramos fazer em cada projeto da UNNE: transformar estratégia, personalidade e criatividade numa presença que seja verdadeiramente reconhecível.
Talvez o mundo não tenha realmente perdido a cor.
Talvez tenhamos simplesmente começado a ter medo de usá-la.
A sua marca está a ser reconhecida ou apenas a parecer profissional?
Se sente que a identidade da sua empresa já não representa aquilo que é, talvez esteja na altura de voltar a olhar para a sua cor.
Fale com a UNNE e descubra como podemos ajudar a construir uma presença com mais personalidade, coerência e diferenciação.
